Determinados: o que a ciência revela sobre quem você se torna antes mesmo de escolher

Amigos de Luz Luan Trindade
Jan 28, 2026Por Amigos de Luz Luan Trindade

Existe um desconforto silencioso quando alguém lê Determinados, de Robert Sapolsky. Não é aquele choque dramático, é mais como uma ficha que cai devagar. O livro questiona algo que quase todo mundo defende sem perceber, a ideia de que somos totalmente livres para escolher quem somos, como agimos e onde chegamos. Sapolsky não escreve para agradar. Ele escreve para mostrar, com base em neurociência, biologia e comportamento humano, que nossas decisões são muito mais condicionadas do que gostamos de admitir.

E isso muda tudo.

Silhueta de uma cabeça humana translúcida com cérebro visível, conexões neurais brilhantes e cenas da infância ao fundo, representando como memórias e biologia moldam o comportamento humano.

Você não começa do zero, nunca começou

Uma das ideias centrais de Determinados é simples e desconfortável, ninguém começa do mesmo ponto. Antes mesmo de você tomar uma decisão consciente, já existe uma soma gigantesca de fatores operando. Genética, ambiente familiar, experiências na infância, traumas, alimentação, estresse crônico, cultura, classe social, sono, hormônios e até o clima influenciam diretamente como seu cérebro reage ao mundo.

O livro mostra que aquilo que chamamos de escolha, muitas vezes, é o resultado final de processos que começaram muito antes do agora. Seu cérebro não improvisa. Ele responde com base no que foi moldado ao longo do tempo. Isso não significa que você é um robô. Significa que o jogo é mais complexo.

Neurociência aplicada ao comportamento humano

Sapolsky mergulha fundo na neurociência para explicar como decisões são tomadas em milissegundos, muito antes da consciência entrar em cena. Certas áreas do cérebro já “decidiram” enquanto você ainda acredita que está refletindo.

Cérebro em formato tridimensional com estradas, relógio, engrenagens, prédios e fotos antigas integrados, simbolizando a influência do tempo, ambiente e experiências na tomada de decisões.

Esse ponto conecta diretamente com algo que muita gente sente, mas não sabe explicar. Por que repetir padrões mesmo querendo mudar? Por que prometer algo a si mesmo e falhar dias depois? O livro mostra que não é falta de força interna, é condicionamento neural.

Seu cérebro busca eficiência, não transformação. Quando você entende isso, para de se culpar de forma inútil e começa a observar o sistema por trás do comportamento.

Culpa, julgamento e o peso invisível

Um dos impactos mais fortes de Determinados é na forma como enxergamos culpa e mérito. Se o comportamento humano é resultado de camadas e mais camadas de fatores anteriores, até que ponto faz sentido julgar alguém isolando apenas a ação final?

O livro não passa pano para atitudes destrutivas, mas convida a olhar para a raiz. Isso muda relações, muda a forma como você se cobra e como cobra os outros. A rigidez dá lugar à compreensão estratégica. E aqui entra um ponto chave para quem busca crescimento pessoal, entender não te paralisa, te posiciona melhor.

Se não existe livre-arbítrio total, o que sobra para você

Essa é a pergunta que mais surge depois da leitura:

Se somos tão condicionados, então nada pode ser feito?

O livro deixa claro que entender os determinantes do comportamento não é desistir da mudança. É justamente o contrário. Quando você entende o que molda suas reações, começa a atuar no nível certo. Ambiente, rotina, estímulos, relações, alimentação, descanso e repetição passam a ser ferramentas, não detalhes.

Pessoa em pé dentro de um espaço minimalista interagindo com engrenagens e diagramas luminosos no ar, representando consciência, entendimento do próprio sistema mental e possibilidade de ajuste interno.

Você não muda pela força, muda pelo ajuste do sistema. Esse ponto conversa diretamente com neuroplasticidade, quanto mais você repete um comportamento em um ambiente favorável, mais ele se consolida. A transformação deixa de ser um discurso bonito e vira engenharia emocional.

O que Determinados ensina, na prática

Ler Determinados não te torna passivo. Te torna mais inteligente emocionalmente. Você passa a parar de lutar contra sintomas e começa a mexer na estrutura. Em vez de se perguntar “por que eu sou assim?”, a pergunta vira “o que está sustentando isso em mim?”.

Essa mudança de olhar reduz autossabotagem, aumenta empatia e cria espaço para escolhas mais conscientes, mesmo dentro dos condicionamentos. No fim, o livro não tira sua responsabilidade. Ele redefine onde ela começa. Talvez você não escolha tudo o que sente ou pensa. Mas pode escolher aprender como funciona. E isso já muda o jogo inteiro.

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